VIII Congresso Internacional de Psicopatologia Fundamental
XIV Congresso Brasileiro de Psicopatologia Fundamental

Argumento


O tema proposto neste VIII Congresso Internacional de Psicopatologia Fundamental e XIV Congresso Brasileiro de Psicopatologia Fundamental – A clínica na Universidade e além – vai abordar as práticas clínicas que se desenvolvem em nome da pesquisa na universidade. A questão que se coloca é:o método clínico suporta bem as adaptações que sua aplicação no campo da pesquisa universitária exige?
Para responder a uma questão como essa é preciso recorrer ao exame das práticas clínicas que são desenvolvidas nos diferentes espaços institucionais: na saúde, no hospital, na assistência social, na escola, no judiciário.


Como reconhecer essas práticas clínicas, diferenciando-as de outras práticas que também frequentam os mesmos ambientes institucionais e que se destinam a outras finalidades mais identificadas com a gestão de recursos humanos, redução de conflitos de interesse e de custos?

A questão da qualidade permite identificar o método clínico, distinguindo-o de outras abordagens do mal-estar e foi o tema que nos ocupou no último congresso. Na ocasião de sua organização, nosso saudoso fundador da AUPPF Dr. Manoel Berlinck, estava à frente da condução desta pergunta acerca da qualidade do método clínico. Em reconhecimento ao seu papel na instigação de questões atinentes ao exercício da clínica no campo da psicopatologia, a comissão organizadora deste novo congresso pensou em avançar na direção de uma avaliação das práticas clínicas associadas à pesquisa, ao pensar, ao questionamento e à renovação destes em conformidade com os desafios que enfrenta a subjetivação na contemporaneidade.


Cabe ressaltar que uma prática clínica é um tratamento do real pelo simbólico. Seu instrumento é o ato de dizer aquilo que é o mais íntimo, introduzindo o indizível no campo da fala e da linguagem. Todo dizer encontra um impossível de dizer, que se manifesta tantas vezes como mal-entendido, pois o dizer também é a experiência de dizer mais do que quis dizer. Não se trata, portanto, da aplicação de uma técnica – a associação livre, por exemplo. Trata-se de abordar o que não se pode dizer por meio de um forçamento: a interpretação. Interpretar é produzir máscaras, semblantes do real. O semblante é um discurso, uma mistura de razão e sensibilidade. Dizendo de outro modo, uma mistura da linguagem ao que o corpo tem de mais real. Semblantes são discursos que fabricamos para abordar o real da pulsão, o indizível do sofrimento e a angústia que habita todo aquele que fala.


Pode a Universidade ensejar a produção e a renovação de práticas clínicas? Ou seria a Universidade um mero repositório de um saber caduco, reproduzido à exaustão por acadêmicos empoeirados, recolhidos em seus gabinetes e bibliotecas, distantes de todos os lugares onde a vida pulsa?
Não é esta a experiência dos professores, pesquisadores, doutorandos, mestrandos e graduandos na universidade brasileira. Nossos projetos de pesquisa, cada vez mais, se debruçam sobre os impasses que a clínica em extensão – ou, melhor dizendo, a psicanálise aplicada em instituições – nos convida a enfrentar e resolver. O que nos desafia a intervir é o sofrimento, o sintoma, o mal-estar na civilização em suas mais novas manifestações. Existe uma urgência no sujeito e no laço social que nos convida a sair da biblioteca e inventar soluções inovadoras.


A urgência subjetiva habita a pesquisa na clínica. Estudantes de graduação nos trazem as experiências inquietantes que os atravessam nos seus estágios para pensa-las em suas iniciações científicas e monografias de fim de curso. Mestrandos e doutorandos voltam à universidade, em busca de soluções para os difíceis impasses que encontram em suas práticas junto aos doentes, aos técnicos e às famílias nos hospitais. Ou na mediação de conflitos em casos de violação de direitos no campo da assistência social. Ou, ainda, na dissolução dos impasses que a infância e a juventude – comum ou transgressora - encontra na relação com o saber, com pais e mestres ou mais além, com a lei e as medidas que visam reeducá-los.

 

Psicopatologia Fundamental


O tema do Congresso, A Clínica na Universidade e Além, bem se aloja no espaço que propõe a psicopatologia fundamental. A clínica na universidade se aloja, e o além do tema do Congresso, também. Isso vale para qualquer direção que este além nos aponte.
A psicopatologia fundamental, com origem nos trabalhos de Pierre Fedida na França, abrasileirada por Manoel Berlinck e por outros pesquisadores, propõe o acolhimento de um pathos, de um sofrimento, que a clínica recolhe, quer seja a clínica na Universidade ou além. Propõe a militância em um campo transdisciplinar, que coloca o humano em um compasso de diálogo com disciplinas além da psicanálise. A psicanálise é a casa própria da psicopatologia fundamental, mas a psicopatologia fundamental dialoga com as ciências sociais, com a literatura, poesia, medicina, psiquiatria e com a psicologia científica. O fazer clínico, dentro e fora da Universidade, se vale de todo este espaço de diálogo para não envelhecer e para não ficar como o sangue que coagula. A Universidade, por sua própria vocação, acolhe esta diversidade. Reconhecemos que o sofrimento vai para além e vem de longe, e nos trás muitas notícias e inspirações...


Estas foram algumas das questões que motivaram a Comissão Organizadora do VIII Congresso Internacional e do XIV Congresso Brasileiro de Psicopatologia Fundamental a convocar seus membros e participantes externos a enviar seus trabalhos e discuti-los neste encontro que vai se dar no Rio de Janeiro, no Hotel South America, nos dias 7, 8 e 9 de setembro de 2018.
 

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